‘Minimalismo: as coisas importantes’: o documentário que vai fazer você refletir sobre o seu estilo de vida

Olhe ao seu redor: quantas coisas realmente necessárias você tem em seu ambiente? Destacamos: realmente necessárias. Necessário não conta nem o patinete que você comprou na televendas naquela noite de insônia, que agora pega pó apoiado na parede, nem a lâmpada impossível que jamais inicia e que, além disso, tudo que faz é atrapalhar no meio do salão, nem sequer essas dichosas revistas que você tem empilhadas no centro da mesa e que, reconozcámoslo, você nunca vai ler inteiras.

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Você atreverías a fazer lousa?Você seria capaz de viver de uma maneira que tivesse o justo e necessário para ter uma existência feliz, sem estresores, sem que nada lhe perturbara ou patrocinadores; sem se deixar levar pela publicidade, pelo excessivo consumismo… serias capaz de viver, em suma, uma vida minimalista?

Esta é a interessante reflexão de um documentário que leva tempo no Netflix, mas que, nas últimas semanas, está a tornar-se viral nas redes sociais. Seu título, ‘Minimalismo: as coisas importantes’,como diz a sinopse da plataforma de ‘streaming’, “mostra os benefícios do menos é mais através de depoimentos de pessoas contra o consumo impulsivo reinante nos Estados Unidos”.

O documentário, que não chega a uma hora e meia de duração, tem dois grandes protagonistas, Ryan Nicodemus e Joshua Fields mill shoals, ideólogos nos Estados Unidos da américa do movimento minimalista, mentes pensantes após a web theminimalists.com(em que oferecem toda a informação sobre este movimento), autores de‘Minimalismo. Para uma vida com sentido”(foi publicado em maio pela editora Kairós ao preço de 14,42 euros).

imageEd. Kairós

Antes de se tornarem os grandes líderes e minimalistas, Nicodemus e Fields mill shoals, amigos desde a infância, trabalham horas e horas para ganhar um salário de seis dígitos que, segundo narram, só lhes levava a ansiedade, a depressão, a tristeza e a acumular coisas que não gostaram, e que não lhes serviam de nada: “Enche a minha vida com coisas”, explica Nicodemus. “Ele vivia para quando chegasse o dia de cobrar o dia do salário, mas, na realidade, não viveu”.

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Fields Milburn foi o primeiro em ‘desligar-se’ desse estilo de vida. Em romper com tudo. Em deixar o seu trabalho, em deixar de comprar, em eliminar seus excessos: “Abandonei todas aquelas coisas que eu trouxe para a minha vida, sem questionar nada”. E o seu amigo não lhe passou despercebido: “De repente, Joshua era feliz. Completamente feliz. E eu perguntei por que”. Ele tinha tirado uma escravidão, uma importante pedra em sua mochila, e era livre para caminhar. Ou isso, contam.

‘Minimalismo: as coisas importantes’ recolhe o testemunho de vários especialistas –psicólogos, neuropsiquiatras, neuropsicólogos, economistas, escritores…– sobre o tema, enquanto que segue a Nicodemus e Fields mill shoals, no início de sua turnê de 10 meses para apresentar o seu livro, uma turnê que leva por várias cidades dos Estados Unidos, em conferências, palestras ao ar livre e encontros ao ar livre, onde se deixa ver seu enorme carisma perante o público.

Vai fazer você pensar

Este documentário, em seu apartamento de 1 h e 18 minutos, se suscita inúmeras reflexões. Por exemplo. OPor que, se estamos na melhor época do Ocidente, desejamos tantas coisas? Conforme explicam os especialistas, enquanto ficamos maravilhados contemplando as típicas imagens de pessoas brigando dos saldos, fazendo fila na loja da Apple ou desgañitándose por adquirir pechinchas o Black Friday, porque as compras criam uma “desconexão com a realidade, somos marionetes”.

“Como seres humanos, estamos programados para estar satisfeitos”, uma insatisfação que, segundo se assegura, na fita, que se alimenta das redes sociais, nos meios de comunicação social e da publicidade –o dado é brutal: vemos 5.000 anúncios por dia desde que nascemos–, que nos anima a consumir para aproximar-se em tudo aquilo que vemos.

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Nas palavras de um dos participantes, Rick Hanson, neuropsicólogo, “Parece que o dinheiro compra a felicidade em algum sentido. Um estudo mostrou que, abaixo de 70.000 dólares por ano, um maior bem-estar material, está associado com um maior bem-estar psicológico. Mas se você passar desse nível difícil, o dinheiro não compra a felicidade. Ou seja, você pode ter mais dinheiro, mas não mais feliz”.

O consumo tem se exacerbado nas últimas décadas nos Estados Unidos, de acordo com os números que dá o documentário: o gasto médio por família passou de us $ 7.500 de 1972-73 os ¡¡mais de 40.000 dólares!! que gastaram em 2002-03. Em Portugal, segundo dados do INE, em 2017, o gasto médio foi estabelecida em 29.188,19 euros, correspondendo a partida maior do orçamento para a habitação (8.774,12 euros) e alimentos e bebidas não alcoólicas (4.107,61 euros).

A reportagem nos faz cair na conta de que, apesar de en as últimas décadas, o tamanho das casas aumentou –em Portugal, a área média de construção de casas é de 117 m2–, também foi lançado uma indústria de armazenamento para guardar coisas que não nos cabem em nossos lares. Comovocê se sente, por contra, capaz de viver em outro tipo de acomodação: casas modulares como as de LifeEdited, a casa anãs, algumas das opções que se apresentam no documentário?

Casa anã tiny roomD. R.

Até em uma casa minimalista como esta, você pode cair em um dos piores riscos que denuncia o documentário: o materialismo. “Mas colocados a ser materialistas, devemos sê-lo de verdade, que nos importe realmente a materialidade das coisas”. E, é outro dos riscos do maximalismo, do extremo consumo, são os custos ecológicos que existem no meio. A reportagem lembra-nos a degradação do habitat, as emissões de carbono e a quantidade de combustível que é consumido no transporte para entregar tudo o que temos comprado.

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Compras, compras, compras… equivale a mais estresse e menos felicidade, é, em definitivo, o que nos quer dizer este documentário. Mas os dois protagonistas, sublinham que não quer que a gente pare de consumir, mas que simplesmente aprendamos a viver com ‘o que quer que seja suficiente’, porque “a maioria não vamos dar de menos”.

Há que vê-lo, e há que refletir sobre tudo o que nele se diz. de não nos deixar levar pelo excesso de publicidade, de esquecer falsas necessidades? O Seremos realmente mais felizes e poderemos conectar melhor com nós mesmos, ao ter n.o todo o ruído que entorpecía e gerava stress?

Em qualquer caso, a melhor frase encerra o documentário e diz: “Ame as pessoas e use as coisas, porque caso contrário nunca funciona”.

Jennifer AnistonGiphy

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