Crítica | Valerian e a Cidade dos Mil Planetas (Valérian et la Cité des mille planètes)

Estamos em 2740, onde Valérian e Laureline são agentes espaço-temporais que cruzam o espaço e o tempo para realizar as missões do Governo dos Territórios Humanos, a bordo da nave Intruder. E eis que uma nova missão os leva à estação espacial Alpha, onde alguém está ameaçando destruir os sonhos e as vidas dos 17 milhões de pessoas dos quatro cantos do universo …

Review Overview

Nota Geral

3,0

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60

Estamos em 2740, onde Valérian e Laureline são agentes espaço-temporais que cruzam o espaço e o tempo para realizar as missões do Governo dos Territórios Humanos, a bordo da nave Intruder. E eis que uma nova missão os leva à estação espacial Alpha, onde alguém está ameaçando destruir os sonhos e as vidas dos 17 milhões de pessoas dos quatro cantos do universo que habitam esse estação, cerca de 8000 espécies trocando seus conhecimentos, tecnologias e competências.

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O longa baseado na clássica saga de histórias em quadrinhos “Valerian et Laureline”, escrita por Jean-Claude Mézières e Pierre Christin, tem uma ótima premissa, que foi aprimorada ainda mais pelas brilhantes mãos de Luc Besson, que já mostrou saber trabalhar com fantasia futurística em Lucy.

Besson demonstrou tanto engajamento no longa, que chegou a escrever cerca de 600 páginas para descrever as mais de 200 espécies diferentes de aliens que ele pretendia exibir no filme, e exigiu que os atores lessem todas essas características. Mas talvez a grande falha do longa tenha sido a execução de toda essa fantasia.

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O grande problema do filme acaba sendo justamente todo esse esmero de Besson. O diretor teve uma ligação muito intensa com a série de quadrinhos, já que lia os quadrinhos quando criança, e talvez por isso tenha se esmerado tanto em transformar a adaptação num longa memorável, mas isso acabou fazendo com que o diretor não percebesse alguns exageros que fizeram do filme um espetáculo de cores, 3D, movimentos de câmera e montagem, mas um excesso de efeitos e personagens secundários. Mudando da parte técnica para os protagonistas, temos Dane DeHaan no papel do galanteador Valérian, a grande estrela do filme, mas que não consegue manter o personagem, já que a série pedia um aventureiro intergalático malandro ao estilo de Han Solo, mas DeHaan peca na tentativa de chegar a esse papel que já está marcado na nossa mente na encarnação de Ford.

Já Cara Delevingne é a segunda protagonista na pele de Laureline, e a atriz aflora muito mais seu lado modelo do que seu lado aventureira, visto que Laureline esbanja belas caras e bocas muito mais do que espirito de lutadora. Tudo piora por conta da química dos personagens, ou melhor, da ausencia dela. Valérian é apaixonado por Laureline, mas os atores não passam uma química, é bom ver quando ela esbanja farpas frente as cantadas do Major, é legal ver as cenas de ações que eles protagonizam juntos, mas não dá pra torcer por um beijo dese casal.

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O longa vem coroado com um prólogo, que é abençoado pela voz de David Bowie em Space Oddity, mostrando a evolução da humanidade, alguns minutos que empolgam a todos, mas que não fazem jus às outras mais de 2 horas de filme. Clive Owen é um grande nome que é colocado no papel do General Arün Filitt, um papel que traz extrema importância para a trama do longa, mas que praticamente não aparece no filme, mostrando claramente o que é desperdiçar um grande nome para um papel imponente porém com pouco tempo de tela. Já Rihanna faz o inverso, pega seus pouquíssimos minutos de tela e transforma num espetáculo de cativação,

A cantora mostra na pele de Bubble, a alien metamorfa, que muitas vezes um bom personagem, mesmo que aparece por pouco tempo e apareça menos ainda com sua aparência, pode ser sim bem atuado e cativar o público, principalmente quando você dá um show de apresentação de personagem.

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O filme lembra bastante de Star Wars, saga que bebeu bastante dos quadrinhos franceses, e isso acaba sendo algo bom, vemos que Besson aproveita o que Lucas fez e enche seu filme de referencias com direito a um universo bem visionário e alguns toques de sátira, mas o grande problema é que não temos um Vader, ou melhor, não temos um vilão que faça a trama valer a pena, o que unido a algumas piadas ruins, frases feitas e um protagonista que não convence, prejudicam o filme.

Besson no entanto soube bem escolher alguns dos secundários, não tem como não amar o drama existencial e a critica social feita com Bubble, não tem como não rir da esperteza e pilantragem dos três Doghan Daguis, ou não se cativar pela empolgação e determinação da figurinista do banquete. Pode se dizer que o longa é um deleite visual, com um desfile de aliens incríveis e paisagens divinas, porem tem problemas que prejudicam o material. Uma direção de arte espetacular, porém uma historia que decepciona.

 

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About Icaro Augusto

Icaro Augusto
Cursando Tecnólogia em Design Gráfico no Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), livrólatra e cinéfilo, atualmente é sócio-diretor do Host Geek e envolvido com diversos grupos literários pernambucanos. Vive em Recife/PE, tem como meta a área de Game Designer e está sempre ligado no mundo Geek e Otaku.
Host Geek. 2014.