Critica | It: A Coisa (It) [2017]

“You’ll Float too.” Em um dia chuvoso, George (Jackson Robert Scott) brinca alegremente com seu barquinho de papel feito com tanto carinho por seu irmão mais velho, Bill (Jaeden Lieberher), ate perder o brinquedo em um dos bueiros da rua. Ao tentar recuperar o mesmo ele se depara com uma curiosa (e sinistra) figura, Pennywise, …

Review Overview

Nota Geral

4,5

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90

“You’ll Float too.”

Em um dia chuvoso, George (Jackson Robert Scott) brinca alegremente com seu barquinho de papel feito com tanto carinho por seu irmão mais velho, Bill (Jaeden Lieberher), ate perder o brinquedo em um dos bueiros da rua. Ao tentar recuperar o mesmo ele se depara com uma curiosa (e sinistra) figura, Pennywise, (Bill Skarsgård ) que promete devolver o brinquedo do garoto se ele se aproximar do bueiro. Afinal, o que poderia acontecer de mal?

O sumiço de George desencadeia uma serie de estranhos desaparecimentos que parece se agravar a cada dia que passa, unindo sete improváveis crianças que sofrem abusos tanto externos quanto internos e, que para impedir uma catástrofe ainda maior devem enfrentar os seus piores medos e encarar um mostro além da imaginação, que vai explorar de todas as maneiras possíveis às fraquezas do grupo, e transforma suas vidas em um verdadeiro inferno.

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Com uma sequência brilhante que introduz o nosso antagonista de modo sublime e assustador damos inicio a segunda adaptação da obra de Stephen King. Dirigido pelo argentino Andy Muschietti (Mama) It: A Coisa transita entre gêneros e distancia do clássico de 1990, nos mostrando problemas muito mais humanos e significativos e usando a metáfora de toda podridão humana na figura sinistra de Pennywise. As sequencias brutais de terror são misturadas com alívios cômicos que nos ajudam a entrar ainda mais no universo que nos é mostrado. Pode parecer estranho a quem lê, mas o longa consegue transitar entre os vários gêneros sem se perder e transformar em algo agradável de se ver.

O elenco repleto de crianças traz uma leveza à trama que não soa forçada em momento algum. Os momentos na qual respiramos nos conduz ao aprimoramento dos laços de amizade são tão únicos e belos que trazem uma nostalgia ao publico. Assim como a fotografia belíssima do filme e sua ambientação oitentista, que conseguem casar bem com a trilha sonora e o clima que o filme proporciona.

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A ideia do roteiro de Chase Palmer, Cary Fukunaga e Gary Dauberman é explorar os amplos dilemas dos personagens e criar uma empatia entre o publico e o grupo. O filme consegue se aprofundar em seus personagens e construir toda a estranheza precisa na trama, seus traumas humanos e assuntos bastante pesados como pedofilia, pais controladores e ausentes e um bullying mais perverso e brutal do que costuma ser apresentado.

Embora seu terror não seja o convencional, ele está presente e pontual na trama. Nada no longa é usado em vão e ate seus sustos (ou não sustos) são usados para a construção dos personagens. E que personagens. Embora alguns deles não sejam explorados como deviam, o Losers Club se encaixa perfeitamente, sendo tratado como um personagem em si. O grande destaque vai para Bev (Sophia Lillis) que consegue transitar entre as cenas de extrema agonia a leveza da infância, e Mike (Chosen Jacobs) que é o mais genial entre as crianças e ganha de imediato a simpatia do publico. Richie (Finn Wolfhard) proporciona ótimos momentos de humor é se encaixa bem na trama, mesmo que por muitas vezes estejamos rindo de nervoso.

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Como falado anteriormente, a sequencia de abertura ilustra bem a complexidade e a brilhante atuação de Skarsgård, que consegue transitar entre a tentativa de inocência sinistra do palhaço (que não consegue esconder seus desejos macabros mesmo nessa forma) quanto à monstruosidade que se esconde por seu sorriso perverso. Só nessa cena já temos uma noção do peso do personagem e passamos a temê-lo de uma maneira intrínseca que, acreditem, nos acompanha durante toda a trama. É, com certeza, uma das melhores cenas de introdução atual.

Algumas construções de cena incomodam a primeira vista e alguns cortes bruscos se mostram desnecessários no inicio do longa, e alguns fãs fervorosos do livro (como eu) sentem falta das cenas maiores de displicência paternal, e de como o povo de Darren parece não se importar com o que acontece ao redor (o que foi pouco mostrado no filme) mas comparado com todas as qualidades do filme se tornam quase insignificantes. It: A Coisa consegue entregar um ótimo filme que tem tudo para ter um futuro brilhante. Mesmo que você não saia assustado do cinema um incomodo desconforto vai lhe persegui por semanas e te mostrar que seus piores medos podem ser reais e humanos. E, acredite, você também vai flutuar…

“Ele soca postes de montão e insiste que vê assombração.”

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About Phael Pablo

Phael Pablo
Quem sou eu? Uma ótima pergunta que poucos sabem responder. Aquariano, Publicitário, você sempre pode me encontra com um bom livro na mão (quando não estiver ocupado debatendo sobre algo). Talvez um pouco complicado mas ótimo no que faço
Host Geek. 2014.