Critica | Corra (Get Out)

Chris (Daniel Kaluuya) é jovem negro que está prestes a conhecer a família de sua namorada caucasiana Rose (Allison Williams). A princípio, ele acredita que o comportamento excessivamente amoroso por parte da família dela é uma tentativa de lidar com o relacionamento de Rose com um rapaz negro, mas, com o tempo, Chris percebe que a família …

Review Overview

Nota Geral

3,0

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60

Chris (Daniel Kaluuya) é jovem negro que está prestes a conhecer a família de sua namorada caucasiana Rose (Allison Williams). A princípio, ele acredita que o comportamento excessivamente amoroso por parte da família dela é uma tentativa de lidar com o relacionamento de Rose com um rapaz negro, mas, com o tempo, Chris percebe que a família esconde algo muito mais perturbador.

O que dizer desses novos estouros de Sundance se não, oh meu deus como eu preciso ver. Corra é um desses filmes, um filme cheio de pequenos pontos perturbantes que poderiam muito bem acontecer no dia a dia, apesar de serem extremamente distópicos e surreais. Sendo o primeiro filme escrito e dirigido pelo comediante Jordan Peele, Corra foi inspirado num stand up de Eddie Murphy contando como foi conhecer os pais brancos de sua namorada, e claro que Peele puxou para o lado do terror.

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Chris é um fotografo famoso e é negro, o que não é exatamente um problema, mas é um gancho para toda a historia… Rose é branca e resolve apresentar ele a seus pais, o que dizer de um negro indo a casa dos pais de um branca rica e tradicionalista do EUA? E se adicionar a equação o fato de que ele é o primeiro namorado negro da garota e ela nem comentou sobre esse detalhe com os pais?

Com certeza isso tinha tudo pra virar um A Família da Noiva invertido, mas eis que sabemos que não estamos em uma comedia, e sim num terror. Chris chega na casa da família de Rose e passa a ser bem recebido, bem até demais, e logo nota que algo está errado, principalmente depois que conhece Georgina e Walter, os empregados negros da casa que são bem bizarros.

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O filme segue bem aquela ideia que os sucessos de Sundence vem trazendo: pegar algo banal, como o racismo, e transformar em um suspense/terror de respeito. Get Out fez burburinho e saiu muito elogiado, eu me pergunto o motivo, apesar de não negar que o filme leva a violência, o drama familiar, o racismo e a tradicionalidade das famílias burguesas caucasianas a um outro nível. Se a tipica frase “eu não sou racista, até tenho amigos negros” pode ser motivos para gerar comedias, aqui isso gera um terror.

Infelizmente contar o que acontece com os negros naquele bairro seria um spoiler, mas eu posso dizer que o filme compões uma “sociedade secreta” que chega num nível a ser comparada a De Olhos Bem Fechados (comparação que até chega a ser citada no longa), onde os ricos desejam os negros para certas finalidades extremamente macabras e vem caçando eles discretamente a anos.

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Talvez um dos maiores pecados no filme tenha sido a atuação de Daniel Kaluuya, se em Black Mirror ele fez uma bela atuação, nesse longa ele parece desconfiado demais, pegando detalhes muito mínimos como motivo para sentir que algo está errado, como o fato de simplesmente começar a achar errado o fato de os empregados da casa serem negros, ou o fato de passar sua inocência de forma que destoa do tema do longa.

E se o filme se inicia com Daniel se destoando da trama, ele finaliza com todo o elenco perdido, temos uma virada que leva o filme de um suspense para um filme de ação, culminando com um final que poderia ter sido bem melhor. No quesito trama, temos um trama legal, que não trata o racismo de uma forma tão maravilhosa quando deveria, mas consegue ser muito mais perturbante, mas com um protagonista que chega a ser fraco e um final que se perde bastante. Um bom filme para curtir, mas que chega a ser incomodo em certos pontos pelas falhas em seu roteiro.

 

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About Icaro Augusto

Icaro Augusto
Cursando Tecnólogia em Design Gráfico no Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), livrólatra e cinéfilo, atualmente é sócio-diretor do Host Geek e envolvido com diversos grupos literários pernambucanos. Vive em Recife/PE, tem como meta a área de Game Designer e está sempre ligado no mundo Geek e Otaku.
Host Geek. 2014.