Crítica | Annabelle 2: A Criação do Mal (Annabelle: Creation)

Dois pais (Anthony LaPaglia e Miranda Otto) arrasados com a morte da filha (Samara Lee),  guardam um segredo misterioso no quarto da criança: uma boneca feita pelo pai, o artesão mais famoso da cidade, e algo mais. Quando o casal acolhe um orfanato na sua casa, o espírito da criança começa a atormentar uma das meninas …

Review Overview

4,0

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Dois pais (Anthony LaPaglia e Miranda Otto) arrasados com a morte da filha (Samara Lee),  guardam um segredo misterioso no quarto da criança: uma boneca feita pelo pai, o artesão mais famoso da cidade, e algo mais. Quando o casal acolhe um orfanato na sua casa, o espírito da criança começa a atormentar uma das meninas órfãs (Talitha Eliana Bateman) e a se manifestar de maneira demoníaca.

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Há tempos que o Terror hollywoodiano não via um talento mesclado com a capacidade de criar grandes franquias como o do malaio James Wan. O cineasta, responsável por nada menos que “Jogos Mortais”, “Sobrenatural” e “Invocação do Mal” mostrou que é possível um filme sobreviver ao baixo orçamento focando na execução, nos personagens, em histórias paralelas – o que implica em roteiros nem um pouco preguiçosos – e, por último mas não menos importante, os sustos essenciais em filmes de horror.

Porém, produções recentes vem provando que o fator susto não é mais poderoso que o medo ou o horror psicológico para construir um filme de terror. São filmes como “A Bruxa”, “Corra!” e “Ao Cair da Noite” que marcam tal evolução no cinema de terror onde o expectador não se apavora com sustos momentâneos, mas leva para casa a aflição. No caso de “Annabelle 2: A Criação do Mal”, que tem Wan como produtor, pode-se dizer que os dois fatores, tanto o susto quanto o medo, são bem empregados, não igualando o filme aos longas que causam diferencial do gênero terror mas também não se aproximando do velho clichê do “jump scare” passageiro.

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E o que faz uma história com tanto potencial para ser mais um mero clichê funcionar?

Primeiramente, “Annabelle 2: A Criação do Mal” tem mais pretensão em contar uma boa história e envolve-la ao terror do que o primeiro filme, aqui por vezes esquecível, mas essencialmente lembrado no desfecho do novo longa-metragem. A diferença da segunda produção para seu antecessor vai da direção madura e bem equilibrada de David F. Sandberg – que visivelmente aprendeu com as falhas de “Quando as Luzes se Apagam”, mas sem deixar de lado a atmosfera obscura e, por vezes, claustrofóbica -, até às situações agonizantes envolvendo a protagonista (Bateman) que tem problemas para andar, assim como as sequências que previsivelmente acabariam em um grande susto mas funcionam ao deixar o expectador aflito com a ausência de trilha sonora e planos fechados. Os personagens centrais são bem inseridos à trama e a relação das irmãs protagonistas, Janice (Bateman) e Linda (Lulu Wilson), passa à primeira vista um ar sentimental exagerado, mas tamanho sentimentalismo é redimido quando ambas começam a evoluir.

Em segundo lugar, o roteiro também é destacado como um diferencial importante. Por vezes repetitivo (porém essencial), mas não desgastante, o trabalho do roteirista Gary Dauberman não descansa quando o clímax do filme vem à tona e consegue intensificar situações que assustam ou, até mesmo, chocam. Eis que a proximidade com as produções dirigidas por Wan se destaca ao não relaxar na história e extrair do público o interesse de se envolver na trama torcendo para que tudo dê certo ou não (sempre há o semeador da discórdia, ou até mesmo um verdadeiro fã do cinema de terror, que não deseja finais felizes em produções do gênero), além de aproveitar do baixo orçamento para desenvolver um material bem feito.

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“Annabelle 2: A Criação do Mal” não está longe de ser um grande filme de terror, mas também não dispõe de todas as características de um. Pelo menos, não agora. A pretensão de oferecer um blockbuster existe, mas, assim como o desejo de entregar um material de qualidade, a produção está mais apta em futuramente ser considerada “cult” como “A Bruxa”, “Corra!” e “Ao Cair da Noite” do que vários filmes que vendem sustos e esquecem que uma boa história também pode ser assustadoramente importante.

 

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About Lucas Rigaud

Lucas Rigaud
Estudante de jornalismo, escritor, cosplayer, cospobrer e pseudo fotógrafo. Astronomia, cinema, música das antigas, quadrinhos. Como diria John Lennon: Apenas um pedaço de nada.
Host Geek. 2014.